domingo, 29 de abril de 2012

Abril...Quase Maio!


                                                                                                                                  
Uma brisa fria entra pela janela.
Bate a vontade de agasalho, de aconchego.                                   

É Domingo de abril, quase maio...
Penso no sol que hoje não chegou!                                                           
Até que é bom!


É um tempo para ficar quieto!
Pensar um pouco!
Descansar!




 Chocolate quente!
Um livro!
Uma tarde sob o edredom!
Silêncio interior! Paz!

sábado, 28 de abril de 2012

Um Lugar de Mato Verde

Mais de dez anos se passaram após eu ter saído daqui.
Era um sentimento muito estranho voltar a este lugar, outrora uma bela e próspera fazenda.
Depois de tantos anos, as lembranças estavam vivas, materializadas em cada recanto!



Imagem atual do  "meu lugar de mato verde"

Aqui meus filhos cresceram, tornaram-se adolescentes, adultos... podia ainda ouvir seus risos entre as paredes escurecidas pelo tempo, o riso alegre das minhas crianças!
Os fantasmas do passado também ainda viviam, os momentos de angústia ainda doíam!
A casa em completo abandono tornava mais vivos estes sentimentos sombrios.


Percorri cada comodo da casa, examinei cada móvel, cada objeto largado, tudo estava tão triste, empoeirado. Grandes teias trançadas pelas aranhas enroscaram-se em meus cabelos!
Senti um vazio tão grande!
Mas o velho  piso colorido da sala de jantar e o meu fogão de lenha na cozinha trouxeram uma saudade gostosa, havia esperança ainda!






Sai para o terreiro, o mato parecia querer entrar em casa!
As velhas laranjeiras no pomar estavam retorcidas,  secas e meu coração ficou dolorido novamente.
Lembrei-me de meu pai escondido entre os ramos carregados de uma delas, deliciando-se com as serras d'água pingos de ouro, que adorava.







                                                                                                                                                                            As cercas da propriedade estavam caídas, troncos de árvores apodrecidos por toda parte, não havia mais horta, nem jardim!
Da fazenda antiga restavam  apenas  a casa abandonada, o mangueiro, o estábulo, alguns galpões em péssimo estado de conservação,  poucos hectares de terra descuidada, uma vaca e um cavalo.



Um grande desanimo se apoderou de mim. Como iria cuidar daquele bem, sem recursos?
Poderia vendê-lo!  Não, não queria me desfazer dele!
Respirei fundo, haveria muito trabalho!
Dei a volta a casa.
O varandão em arco exibia seu piso gasto e manchado  de óleo diesel, mas a grande Sapucaia continuava ali, cheia de frescor e viço!
Novamente a esperança se renovou!  Eu precisava tentar, eu precisava fazer aquelas terras se tornarem produtivas novamente. Precisava ver minha pequena quinta retornar à vida!


                                                                           
Passaram-se sete anos desde o dia em que retornei.
Foi um tempo de muito trabalho realmente, mas minha família estava reunida.
Cada pedacinho de chão foi cuidado.  Pequenas lavouras de milho,  de cana, de ração para o gado foram plantadas. As pastagens foram renovadas ( hoje em sistema rotacionado ). Reconstruímos o jardim, o gramado, plantamos mudas nativas, cercas novas foram feitas...Muita coisa ainda há para fazer...
Foram dias difíceis, percebi que neste pais é quase impossível se viver da terra.
Ouvimos com frequência dizer que "em se plantando tudo dá".  É a mais pura verdade, nossa terra é abençoada,  porém é verdade também que a gente planta e fica perdido entre o custo altíssimo dos insumos e o valor insignificante que o produto alcança no mercado.




Além disso a natureza parece conspirar contra o produtor rural.
São pragas e intempéries: chuvas intensas que comprometem as safras de verão ou longos períodos de estiagem, que prejudicam o desenvolvimento das plantações.
Seria necessário desenvolverem-se técnicas para amenizar os impactos destes fatores naturais, mas não existe em nosso país uma política agrícola séria e eficaz. É o produtor que assume praticamente todos os riscos a que está sujeita sua produção e assim cresce o endividamento no setor.

Na cidade não se tem idéia do trabalho que dá plantar, colher, retirar o leite das vacas diariamente, cuidar dos animais, do solo.
Tudo está pronto nas gôndolas dos super mercados:  carnes, leite, manteiga, queijos, iogurtes, frutas, legumes, verduras, cereais...
Ninguém se lembra, no entanto, de quem produziu todo esse abençoado alimento que vai para  nossas mesas diariamente..

                

      

O homem do campo não estudou, mas sacrificou-se para mandar seus filhos às faculdades, formando médicos, veterinários, agronomos...
Para melhorar sua produção adquire implementos agrícolas, aprende novas tecnologias, aduba suas terras, compra sementes, insemina o gado. ..
Ele é a base da economia do país, mas não tem noção disso e não existe reconhecimento do seu trabalho por parte do governo e da sociedade.


Temo que esta personagem esteja em extinção!
Só mesmo o amor incondicional que tem pela terra pode justificar sua permanência na atividade, que o leva a procurar  novas tecnologias e estratégias para diminuir custos e aumentar a produção, sonhando com dias melhores, em que seus esforços sejam recompensados.




Quanto a mim, apesar de toda dificuldade estou feliz!
Encanto-me ao ver meus netos correndo livres por entre essas árvores e flores, que alimentam sua imaginação.
Sou feliz ao vê-los crescer em contato com a Natureza, com os animais, colhendo frutas no pé, plantando flores, chupando cana, sujando as botas no esterco do mangueiro, tomando leite ao pé da vaca.
Sou levada pelo meu romantismo, mas sei que preciso ter os pés no chão! Por isso estou me preparando para ir mais longe. Não quero, como pensei a principio apenas "um lugar de mato verde".
Quero que esta propriedade possa se auto - sustentar, que se torne próspera novamente.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Sabe Aquele Amor...?


Sabe aquele Amor...?
Que nasce no seu berço?                                     
Que segue seus passos pela vida afora?
Que vem e que vai sem explicação?





Sabe aquele Amor ...?
Que em todos os momentos está em seu pensamento?
Que destrói sua capacidade de se equilibrar?
Que o paralisa e machuca seu coração?                                             



Sabe aquele Amor...?
Que quando você pensa que se acabou,
Retorna mais forte, mais intenso?

Sabe aquele amor...?
Que nos torna o mais feliz dos mortais,
Mas pode nos levar ao mais profundo
sofrimento?







Sabe aquele Amor...?
Acabou!
Mais uma vez!
Mas existe uma porta... entreaberta!   
                                                                                    






Sabe aquele amor...?  



      

quinta-feira, 15 de março de 2012

Nossa Velha e Querida Lorena

Uma nova onda de saudade chega sorrateira ao meu coração!

Lembranças doces de uma infância tranquila e uma adolescência cheia de sonhos, repleta de momentos alegres, descontraídos, sadios!
Minha velha e querida Lorena!       
Cheguei aqui ainda menina, com oito anos, na estação ferroviária.
Chegava para uma nova vida, ao lado de meus pais e irmãos! Cheia de expectativas!

Em frente a estação ficava o Hotel Guarany, que pertencia aos tios de minha mãe e onde papai iria trabalhar. Os tios eram espanhois, muito queridos e conhecidos na cidade: o tio Pepe e o tio Santiago.


Estação Ferroviária de Lorena- hoje Casa do Artesão
Sentia meu coração bater forte, tudo era novo e estranho para mim... sentia medo... mas aos poucos fui me afeiçoando a esta cidade, que nos acolheu, e em pouco tempo era como se aqui tivesse vivido toda a minha vida.

Eu me sentia livre, podia sair com a minha bicicleta pela cidade, sem medo. Andava pelas ruas nos dias de chuva (quando saia da escola), tirava os sapatos e vinha chutando as águas, brincando com elas, com prazer!  Deixava que a chuva me molhasse inteira, mesmo quando tinha um guarda-chuva. Chegava em casa "pingando",  mamãe ficava brava, me mandava correndo para um banho quente!
"- Vai ficar doente, Neinha!"

Igreja matriz de NS da Piedade.
Lorena da Sra da Piedade!
Situada entre a Serra da Mantiqueira e Serra da Bocaina,  debruçada no verde vale do Rio Paraíba do Sul!
Esquecida, travada em seu progresso pela incompetência dos seus políticos!
Quem conheceu Lorena há cinquenta anos atrás,  poderá notar que quase nada mudou.

São muito queridas as lembranças do Grupo Escolar Gabriel Prestes;
do catecismo no lar das Irmãs de Auxiliadora, no Largo do Rosário;
das missas na Catedral,...minha primeira comunhão;...
do meu querido colégio Arnolfo Azevedo,  que era abrigado pelo belissímo Casarão Conde Moreira Lima, no Largo da Matriz, e onde atualmente funciona a Casa da Cultura de Lorena.



Prefeitura Municipal e Biblioteca



Saudades da Biblioteca Municipal, também no Largo do Rosário, onde passei maravilhosos momentos da minha vida. Sinto que o magnifico casarão que a abrigava tenha sido demolido.

Rua das  palmeiras imperiais.
                               
Muitos anos vivemos numa casa modesta próxima à Rua das Palmeiras, grandes e queridos amigos ali fizemos: o Manoel, o Alan, a Heloísa, a Mazinha...a Maria Inês e a Bel, a Ludovina, a Angélica,...a Nancy, a saudosa Delizete, o Dagoberto...

Ah! Caminhar pela rua das Palmeiras diariamente... Meu pensamento voa e se detém em cada passo naquela avenida, vejo-me menina, tocando aqueles caules imensos, encantada com a imponência de seu porte.
Lorena, Terra das Palmeiras Imperiais!       

Não posso deixar de tornar a me referir ao meu amado Arnolfo Azevedo, colégio em que me formei e passei os melhores momentos da minha juventude!

Saudades da praça Arnoldo  Azevedo, com o chafariz de águas coloridas que dançavam ao som de lindas músicas, enquanto as mocinhas desfilavam no passeio, admiradas por seus "flirts". Onde foi parar aquele maravilhoso chafariz?
                               

O Nosso Cinema,  era programa obrigatório de Domingo; hoje não existe mais, virou Casas Bahia.
O CLUBE COMERCIAL DE LORENA era o point da juventude da época! Ficava numa esquina da praça, onde hoje se localiza o banco Santander.
Era onde íamos a bailes e "brincadeiras",  dançávamos, mas sempre acompanhadas  e severamente vigiadas por nossas mães, em posição estratégica, acomodadas na sacada acima do salão.
                                                                                                                                                                                                                                                                                                   
                                                     
Naquele tempo  iniciei a minha carreira de "manequim".
Eu era uma garota tímida, insegura.
Quando me convidaram para participar de um "desfile de modas", pensei que deveria haver algum engano.  - "Quem? Eu? Tem certeza?"
Parecia um sonho! Desfilando pelo salão! Todo aquele "glamour", era o centro das atenções...eu... uma menina simples, uma modelo que não usava maquiagem, cabelos lisos e longos...

Uma queda imprevisível!

Não esqueço de uma vez,  quando descia os degraus do palco para  entrar no salão, uma torção no tornozelo me fez cair. Nem sei como tudo aconteceu em seguida. Era como se tudo tivesse acabado! Não haveria mais oportunidades para minha vida! Sentia uma vergonha imensa de todas aquelas pessoas que estavam ali!


Vi-me no vestiário, com muita gente ao meu redor. Diziam que não precisaria voltar ao desfile se não quisesse, mas eu havia assumido um compromisso, estava apenas começando o meu desfile. Enchendo-me de coragem, após me recuperar da dor, voltei à passarela!
Foi um momento inesquecível, cheguei a conclusão de que o Ser Humano é bom, é solidário! Via quase entre lágrimas, as pessoas, de pé, me aplaudindo.

A solidariedade contagiante!

A emoção foi indescritível! Daquele dia em diante, passei a confiar muito mais em mim e nas pessoas. Não tinha mais medo delas. Compreendi que as dificuldades têm que ser enfrentadas! Que cada um tem seus medos e inseguranças com relação ao outro, que como nos, têm suas fraquezas e defeitos, que também cometem erros e tropeçam como nós. O que importa é que quando for necessário estendamos as mãos para acolher.

A esta querida Lorena que me acolheu, o meu eterno agradecimento. Que eu ainda possa um dia retribuir a todo esse amor!

sexta-feira, 9 de março de 2012

Aquecimento Global e o Homem do Campo

Tenho percebido, com muita apreensão, as modificações visíveis do tempo.
As chuvas tornaram-se escassas.  O calor está quase insuportável. Onde estarão as "águas de março"?
As folhagens  estão prematuramente amareladas, as tardes abafadas tornam-se escuras de repente, anunciando tempestades que se dispersam no ar, levando a esperança de vermos os campos banhados e verdes.
Estão  realmente  havendo mudanças climáticas no planeta!
O aquecimento global é uma realidade!  Mas quais seriam as causas? Ou melhor, os causadores?
Os homens?
Não existem provas cientificas de que o aquecimento global seja responsabilidade apenas do homem comum. Existem fatores como o movimento das placas tectônicas, vulcões, terremotos...



Acredito que as mudanças climáticas sejam consequência da ação de conglomerados industriais - que incentivam o consumismo, o desperdício, poluem e contaminam o ambiente -  e da falta de vontade politica..
Tentando se eximirem das responsabilidades, os governos e empresas tentam jogar sobre os ombros das populações a culpa de todos os transtornos causados pelas mudanças climáticas.







                                                  


Nunca a Natureza é tão aviltada como quando a ignorância supersticiosa tem a arma do poder.
                                                                                                                 Voltaire


Passivamente aceitamos essa culpa!   Pior, continuamos a aceitar os apelos da mídia,  a consumir muito mais do que aquilo que necessitamos para viver.





Cada dia a Natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não haveria pobreza no mundo e ninguém morreria de fome. 
                                                                           Mahatma Gandhi


Até o homem do campo que sempre foi respeitado por seu trabalho árduo e honrado, que produz o alimento sagrado e  necessário à nossa subsistência, hoje é visto  e tratado como um criminoso pelos governantes e ambientalistas. É  apontado como o vilão  do processo de degradação do ambiente. No entanto esta degradação se origina, como citado acima,  nas grandes  indústrias e latifúndios.
 

                                           


Estamos agora na iminência da aprovação do Novo Código Florestal Brasileiro, e eu me pergunto, acostumada que estou às arapucas que este governo nos  prepara: " que novas armadilhas estarão por trás dessa nova lei?"
Nosso país é imenso, um continente - podemos dizer -  o detalhamento da lei levará realmente em conta as características de cada território,  sua história, sua cultura, seu clima, sua economia, enfim, todas as suas diferenças e peculiaridades?
E  aos pequenos produtores rurais  -e entre estes me incluo - o que lhes estará reservado?
Necessitam  de apoio  para tornar suas terras mais produtivas, com a ajuda da tecnologia e de politicas econômicas mais justas; gerar lucros e sair da difícil situação em que se encontram.
É necessário que busquem orientação para se profissionalizarem, tornarem-se empresários em sua área.
O homem do campo deve ultrapassar suas porteiras, sair em busca de aprendizagem  para o desenvolvimento de práticas agrícolas que diminuam a emissão de gases de efeito estufa, como por exemplo a  fixação de carbono no solo através da adubação verde, transformar o gás metano em energia; encontrar subsídios que lhe permitam crescer e contribuir para livrar nosso planeta das grandes catástrofes que o ameaçam.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Literatura: Uma Grande Paixão

Minha relação com a literatura é de longa data!   È uma paixão que  nasceu comigo!  Não tenho lembrança de que alguém lesse estórias para mim, lembro-me  no entanto, que à noite com meu irmãozinho no colo, sentada na cadeira de balanço, cantava e inventava estórias para ele dormir. Quase sempre dormíamos os dois. Eu tinha apenas 6 anos!






  "Sempre que se conta um conto de fadas, a noite vem"
                                                              Clarissa  Pinkola Estés






                                                                                                                                                                                      Não tínhamos livros em casa, e era uma festa quando íamos visitar vovó Armênia, - minha amada e saudosa vovó Ninha -  ao lado da casa dela moravam o tio Pepe (José), tia Jacira e meus cinco primos: Jaira, Jairo, Janira, Jair e Janete. Aquela casa simples era um paraíso para mim, além de ter tantas crianças para brincar, eles possuíam uma enorme quantidade de gibis. Eu ficava encantada com as aventuras do Cavaleiro Negro, Capitão Marvel, Capitão América, Mandraque, Búfalo Bill, Super Man, Tarzan, O Pato Donald, Mikey, Pateta... as revistas nosso Amiguinho, Grande Hotel...           





"Os livros são os mais silenciosos e constantes amigos,
os mais acessíveis e sábios conselheiros e os mais pacientes professores."      Charles W. Elliot                   


                                                    
     "O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive." 
                                Pe. Antônio Vieira 








"Acho a televisão muito educativa, todas as vezes que alguém liga o aparelho, vou para outra sala e leio um livro."
                                                              GrouxoMarx










"Escrever é gravar reações psíquicas.
O escritor funciona qual antena e disso vem o valor
da literatura. Por meio dela, fixam-se aspectos da 
alma de um povo ou pelo menos, instantes da 
vida desse povo."
     Monteiro Lobato


O tempo passou,  mudamos para Lorena.
Logo descobri a Biblioteca Municipal, que funcionava no velho casarão da praça da igreja do Rosário - infelizmente foi demolido.
A bibliotecaria era a saudosa D. Zenaide, eu era visitante de quase todas as noites e ela me recebia sempre com carinho,  atendia-me em minhas pesquisas escolares e tinha sempre um novo romance para indicar.  Sentia, naquele lugar, como se pudesse adquirir toda a sabedoria daqueles livros só em olhar para eles nas prateleiras, coloridos, enfileirados com organização e capricho.


                                          
                                                                                           

Foram livros e mais livros,incontáveis... a todos eu lia com prazer, e em todas as horas possíveis. Lembro-me das inúmeras vezes em que mamãe ia ao meu quarto me  dizer para ir dormir e eu apagava a luz e acendia uma vela, para continuar lendo sem que ela percebesse. Creio que foi a partir desses livros que eu construí a minha felicidade.
             

Dizem que nada acontece por acaso, e nisso eu tenho que acreditar. Depois que me casei , não havia mais tempo para me dedicar a leitura. Havia muito trabalho, muitos  filhos, a corrreria do  cotidiano! Mergulhei de cabeça naquela  minha opção de vida.
Meus filhos cresceram, meu casamento estava acabando.  Foi quando uma amiga que estudava as Cartas dos Anjos,   disse que  eu tinha uma missão,  que estava relacionada a muitos livros... Perguntei-lhe onde eu poderia buscá-los.  Ela apenas respondeu: "- Eles virão até você!". E os Anjos disseram amém!



                        




Quando meu casamento acabou, resolvi  passar algum tempo em minha casa em Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo. Foi uma fase deliciosa! Caminhava em todas as manhãs pela praia,  cuidava de minha casa, de meu pequeno jardim e lia meus livros tranquilamente.
Mas em pouco tempo eu já estava querendo fazer algo que fosse útil a alguém.


 
Eu e meu filho José Ricardo




Apareceu a oportunidade de criar o Núcleo de Educação Ambiental, e com ele veio uma vasta bibliografia.  Em seguida surgiu a idéia de prestar um concurso para professores, e muitos livros vieram!  A biblioteca mais uma vez se ampliou com a aquisição dos livros para o vestibular.
 Com o exercício do magistério e com a Faculdade, cresceu mais ainda e depois mais com a pós- graduação. E os livros continuam chegando. Que sejam benvindos!

                          












É o que você lê quando não tem que fazê-lo que determina o que você será quando não puder evitar.
                    Oscar Wilde

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

MARY- AMIZADE ALÉM DA VIDA

Esta é a história de uma grande amizade.
Amizade que transcende os limites entre a vida e a morte! Somente o amor pode atravessar este abismo !
Uma história que poderia começar assim:
Era uma vez uma menininha muito frágil, delicada, feliz!  Mas se sentia muito só! Queria muito uma irmã para brincar com ela.
Em sua imaginação criou essa irmãzinha que a acompanhava em todas as brincadeiras, para quem ela contava estórias, que fazia dormir...até que um dia, não era mais imaginação...

Marydel, Mary, Delzinha!  Assim se chamava minha irmã de alma, que me ensinou a amar as crianças, a valorizar cada momento vivido, a confiar em mim, a nunca "varrer a sujeira para baixo do tapete".
Ensinou-me a enfrentar a realidade de frente -acho que isso não aprendi muito bem...-
Ensinou-me o verdadeiro sentido da vida, do Amor!
Deixou em meu coração uma saudade quase insuportável, que me faz chorar a uma simples lembrança.


Todo ano, ela e a tia Armonia, vinham a Lorena para as Festas de Natal e Ano Novo, mas nunca acontecia de nos encontrarmos. Eu estava completando quinze anos,  tia Armonia resolveu fazer o meu bolo de aniversário e levou a Delzinha.
Daquele dia em diante minha vida tomaria um outro rumo.


Armonia, sem H, era  uma das mais doces e queridas pessoas que já conheci, e nunca vi um nome que combinasse tanto com alguém, seu riso farto enchia o ambiente, sua paz e alegria contagiavam.


Eu já  havia visto a Delzinha na cidade, com uma outra parente distante,  achei-a "antipática".
Ainda bem que ela não soube disso (nem ninguém, pois só agora  confesso)  e assim  pude conhecê-la melhor e usufruir do encanto de sua personalidade, da sabedoria de um ser que certamente não pertencia a este mundo.


Ainda naquela semana  viajei com elas para Campinas e depois para Piracicaba...Foi o início de algo muito novo para mim.
Ela era nove anos mais velha que eu, e muito brava. Lembro-me das "broncas" que  levava por causa das minhas criancices.
Como nós brigávamos! Mas como nos divertíamos também!



 Viajávamos, passávamos quase três meses juntas nas férias escolares e ao final deste período, lembro-me que ela não queria se despedir, escondia-se para chorar!
Durante todo o ano escrevíamos longas cartas uma para a outra.
     

Quanta coisa aprendia com ela, eu admirava sua força de vontade, me encantava com seus ideais, adquiria valores e conhecimento de vida ...
A  Delzinha era o ídolo da minha adolescência!
Lembro-me, particularmente,  de uma viagem que fizemos à Londrina, no Paraná, fomos de trem,  bastante confortável, mas como em todo começo de ano, chovia muito.  Naquele dia houve queda de barreiras sobre os trilhos e nós  passamos vinte e duas horas dentro do trem.
A paisagem era maravilhosa, o trem passava em meio a plantações que se perdiam de vista.  Parecia uma viagem de sonhos, tal a beleza dos campos cultivados misturados à mata nativa.
Além de tanta beleza, acho que nunca me diverti tanto  com a Delzinha, com a tia Armonia e com o tio Américo.



                                 

Tio Américo, pai da Delzinha, era um baiano cheio de manias,  engraçado, cantarolava o dia inteiro. Sempre de bom humor, simpático, mas acima de tudo, como todo bom baiano, era muito inteligente.
E como! 
Sendo menino pobre, na Bahia, muito cedo precisou trabalhar e não frequentou escolas, o que não o impediu de adquirir um conhecimento fora do comum.  Foi ele quem   preparou seus filhos para os vestibulares. Exemplo de superação, era também um dos nossos "Pracinhas".
Dele também tenho lembranças maravilhosas, e grandes lições de vida.

Lembrei-me agora de um caso ocorrido logo após o tio Américo falecer.
Ele, como disse acima, vivia cantarolando e na época a música que mais cantava, era "Rosas vermelhas para uma dama triste" (  Red  roses  for  a blue  Lady ) http://youtu.be/VhJo7xfAvwI


                          


Aconteceu de entrarmos numa lanchonete e a Delzinha foi ao caixa comprar as fichas, fiquei no balcão onde um dos garotos que serviam, estava alegremente a cantar essa música. Estremeci... e se ela ouvisse?... Iria ficar triste com a lembrança do pai... eu não queria que ela ficasse triste!     Pedi  ao rapazinho que parasse de cantar! Não havia tempo para explicar porque, mas ele ficou bravo, disse que eu não mandava nele!
Quando ela chegou ao balcão nos encontrou brigando, nada entendeu e eu levei mais uma bronca.  Ela nunca soube o porque daquela briga com um completo estranho.                     

E assim se passaram muitos anos...    
Com nossos casamentos acabamos por nos afastar um pouco, mas o sentimento que nos unia não diminuiu. Sempre nos comunicávamos. Ela era agora minha comadre!
Comadre Delzinha, não posso conter minhas lágrimas ao chamá-la assim!

Tia Armonia, eu , a  Delzinha e nossos pequenos     
                                                                                                                         
 "No Amor, fiquem juntos, mas não tão juntos, pois os pilares do templo ficam bastante afastados e o carvalho e o cipreste não crescem na sombra um do outro"
                                                                                             K. Gibran


Um dia, que ainda me lembro como se fosse hoje, ela me ligou, dizia ter encontrado um nódulo no seio, sua voz estava cansada, parecia respirar com dificuldade.
Não pude acompanhar de perto sua doença.  Nesta época eu lutava para salvar meu casamento, não dei a ela o apoio que de mim talvez esperasse. Isto até hoje machuca meu coração.



Foi assim que no final de um determinado dia, estava fechando minha loja, quando recebi sua ligação.
Dizia que se eu deixasse para ir vê-la depois que se fosse, não precisaria ir.
Senti como se houvesse levado um golpe no estômago, não conseguia pensar em mais nada, lágrimas rolavam livres em meu rosto. Era  uma dor que parecia não caber dentro de mim...
Corri em casa, arrumei algumas peças de roupa numa mala e embarquei no primeiro ônibus para Belo Horizonte, onde ela morava.
Viajei durante toda noite,  cheguei á rodoviária ainda não havia amanhecido. Enquanto esperava que me viessem buscar a angústia me oprimia.
Mas quando  minha amiga acordou pela manhã, eu estava a seu lado.

  
  Passamos aquele dia relembrando nossas vidas,  estava feliz,  parecia reagir.
No dia seguinte, fomos ao hospital, para que recebesse uma transfusão de sangue, que ela não queria, demonstrava  fragilidade, medo...
Quando voltamos à casa, estava excessivamente cansada.
Tia Armonia fez uma sopinha e eu tentei dar a ela.  Nesse momento começou a passar mal,  percebi que algo terrível acontecia.
Peguei-a nos braços, tirando forças não sei de onde, desci as escadas desesperada,  o coração descompassado, corri para o carro. Nós a levamos ao hospital, seu corpo estava inerte.
Pedia à Deus que reagisse!
Tentava me enganar,  mas creio que já estava morta.

Parece que ela estava a minha espera para ir embora, para fazer sua Grande Viagem!
Também na morte ela ainda me ensinou mais uma lição:
Pensamos que temos todo tempo do mundo, mas a vida não espera! 
Se amamos alguem precisamos cuidar desse amor hoje, agora, amanhã poderá ser tarde demais!


Esta, Marydel, é uma pequena e simples homenagem que lhe faço, perto da imensa saudade que você deixou, não só em mim, mas em todas as pessoas que a conheceram.
Por tudo que nos ensinou, por todas as inúmeras crianças que você orientou e amou, Deus a abençoe!
Fique em paz... e até um dia...!

"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar..."
Antoine de Saint- Exupéry
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